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Laguna 69 - Cordilheira Branca - Peru

  • 30 de mar.
  • 2 min de leitura
O Parque Nacional de Huascarán, no coração dos Andes peruanos, guarda centenas de lagoas, devidamente numeradas, formadas pelo degelo milenar das montanhas. Mas a de número 69 tem algo especial. Ela não é apenas bela: é mística, desafiadora, inesquecível.
O Parque Nacional de Huascarán, no coração dos Andes peruanos, guarda centenas de lagoas, devidamente numeradas, formadas pelo degelo milenar das montanhas. Mas a de número 69 tem algo especial. Ela não é apenas bela: é mística, desafiadora, inesquecível.

Situada a 4.604 metros de altitude, essa caminhada exige preparo físico, resistência à altitude e, acima de tudo, um profundo respeito pela montanha. O caminho cruza vales cobertos de vegetação nativa, cercados por picos nevados que se erguem de forma monumental. A presença constante de rios cristalinos, alimentados pelo degelo dos glaciares, acompanha o caminhante como uma trilha sonora suave e gelada.

O percurso de cerca de sete quilômetros, somente a ida, vai se tornando cada vez mais exigente. Após um trecho inicial relativamente plano, a trilha ganha inclinação acentuada, serpenteando morros e encostas pedregosas. A altitude pesa. O ar rarefeito obriga a pausas frequentes, e cada passo exige esforço redobrado. Ao alcançar o topo, o prêmio é indescritível: a Laguna 69 surge como um espelho turquesa incrivelmente puro, encaixada entre paredes rochosas e encostas nevadas. O contraste entre o azul intenso da água, o branco das geleiras e o cinza das montanhas cria uma paleta de cores impossível de esquecer. A chegada à Laguna 69 é um triunfo, uma forte emoção, um cenário maravilhoso da neve branca derretendo para formar uma lagoa azul-turquesa. A sensação da missão cumprida e uma placa vermelha indicando “prohibido nadar”.

O dia estava bonito, ensolarado e muita gente na trilha. Não percebemos a presença de um guarda e, em poucos segundos, sem hesitar, eu e Sandra tiramos as roupas de trilha. Ignorando os avisos, os olhares curiosos e o frio cortante, entramos na lagoa de imperceptíveis 4ºC. Naquele instante, tudo se dissolveu: o cansaço, o frio, as regras. Fomos tomados por um êxtase breve e libertador. Saímos da água rindo, vibrando, tremendo, como se tivéssemos acabado de vencer uma montanha dentro de nós.


Mais detalhes no livro Trilhando Caminhos


 
 
 

4 comentários


Klaus Neder
Klaus Neder
31 de mar.

Esse banho foi legal?

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Edgar Fagundes
Edgar Fagundes
01 de abr.
Respondendo a

Nem deu para sentir o gelo. Foi muito rápido. Mas foi revigorante. A trilha é muito difícil.


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wildna lucena
wildna lucena
30 de mar.

Sensacional! Um paraíso, uma lindeza sem fim! Indubitavelmente, uma das maravilhas do nosso fascinante planeta!

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Linda trilha!!! Obrigada por compartilhar!!!

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