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Caminho de Santiago de Compostela

  • 28 de mai.
  • 2 min de leitura

Deixar tudo para trás e atravessar um país a pé não é uma decisão trivial. Foram 28 dias, eu e a mochila limitada ao estritamente necessário.

Logo compreendi que o Caminho não tem pressa. Ele ensina o tempo do corpo. E me revelou cedo uma de suas verdades mais singelas, o desapego: não é preciso carregar mais do que o essencial. Carregar somente o necessário é a primeira e grande lição do Caminho. Não só para a trilha, mas para a vida. Tudo o que se carrega pesa. E o que não é essencial, dói.

 

A solidariedade é a outra grande lição. Está sempre presente no Caminho. Peregrinos de toda parte, com seus idiomas distintos e suas histórias carregadas como bagagens invisíveis. E ainda assim, nos entendíamos. Compartilhar suprimentos, ajudar com o peso da mochila, prestar primeiros socorros, etc. Atos de solidariedade não apenas ajudam a garantir a segurança e o bem-estar de todos os envolvidos, mas também fortalecem o senso de comunidade e camaradagem entre os peregrinos.

O Caminho tem seu próprio compasso e não é o relógio quem dita o tempo, mas o corpo, o cansaço, a luz do dia e os encontros que nos atravessam. É ele quem vai moldando os dias, costurando aprendizados.

A convivência com gente de todo o tipo é fantástica. Caminhava quase sempre sozinho, mas a festa no final do dia era uma verdadeira torre de babel.

A chegada é muito marcante. Os últimos dias foram de bastante silêncio, quase sempre sozinho. Cada passo se tornava uma despedida antecipada, como se o corpo soubesse que algo precioso estava prestes a se encerrar. Havia uma serenidade de quem já tinha recebido tudo o que foi buscar, uma aventura épica, um retiro espiritual.

A emoção maior fica mesmo por conta dos encontros e reencontros. Quando menos se espera, recebe-se um abraço de alguém, numa língua indecifrável, que num determinado momento cruzou com você no caminho e trocou algumas palavras. Pessoas que às vezes não lembramos, mas que por algum motivo se lembram da gente. Abraça-se desconhecidos como se fossem irmãos. Ali compreendi que o Caminho não termina na Praça do Obradoiro, ele continua à medida que a experiência vivida permanece nos dizendo coisas nas reflexões sobre cada passo dado.

Detalhes dessa experiência estão descritos no meu livro Trilhando Caminhos.


 
 
 

1 comentário


Obrigada pelos ensinamentos!!!

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